A pinça errada no tecido errado gera dois problemas ao mesmo tempo: ou escorrega quando não pode, ou traumatiza quando não deveria. Pele espessa, mucosa delicada, periósteo, vasos e fáscia muscular têm resistências e fragilidades completamente diferentes — e as pinças do catálogo Ortop foram desenvolvidas para cada um desses cenários.

Este artigo apresenta as pinças em destaque da linha Ortop, com as diferenças técnicas entre os modelos e os contextos em que cada uma faz mais sentido. Catálogo completo em ortop.com.br.

ℹ️  Modelos em destaque da linha Ortop. Catálogo completo em ortop.com.br.

Pinças Adson 12 CM — Delicadeza que Não Escorrega

As Pinças Adson são os instrumentais de manipulação de tecidos finos e delicados — pele, mucosa, cartilagem, estruturas vasculares — com mínimo de trauma. Estão entre os instrumentais mais usados em cirurgia plástica, bucomaxilofacial, rinoplastia e vascular. A Ortop disponibiliza duas versões de 12 CM:

Pinça Adson 12 CM Serrilha

A versão Serrilha tem superfície denteada sem dentes centrais. Essa geometria garante preensão suficiente para segurar o tecido sem perfurá-lo — essencial em mucosa nasal, mucosa oral e tecidos que simplesmente não toleram a pressão pontual de um dente. Em rinoplastia, onde cartilagens alares têm menos de 1 MM de espessura, a Serrilha é o instrumento certo para segurar sem laceração.

Pinça Adson 12 CM com Dente

A versão com Dente tem um dente central que penetra o tecido para preensão firme onde a serrilha deslizaria. Pele espessa (especialmente na região glútea, coxas e dorso), periósteo e fáscia muscular — todos precisam dessa ancoragem mais firme durante a sutura. É o modelo para quando a serrilha não segura.

A regra prática que muitos instrumentadores ensinam: Adson Serrilha perto de tecidos que não podem ser perfurados (mucosa, cartilagem fina, vasos); Adson com Dente quando o tecido é mais espesso e resiste à serrilha (pele dorsal, periósteo, fáscia). As duas convivem na mesma caixa cirúrgica.

📎 ZOLLINGER, R.M.; ELLISON, E.C. Zollinger's Atlas of Surgical Operations. 10ª ed. McGraw-Hill, 2016. / PAPEL, I.D. Facial Plastic and Reconstructive Surgery. 4ª ed. Thieme, 2016.

 

Pinça Kocher 24 CM Curva — Força e Alcance Profundo

A Kocher é uma pinça de força — garras denteadas que travam com pressão considerável para controle vascular e tração de tecidos resistentes. A versão Curva de 24 CM da Ortop foi desenvolvida para abordagens profundas onde o acesso direto é limitado e onde a pinça precisa ser posicionada em ângulo em relação ao campo.

Na safenectomia inguinal, nas abordagens laterais ao fêmur e em campos pélvicos, o comprimento de 24 CM garante o alcance que modelos menores não atingem. E a curvatura permite que o cabo fique fora do campo de visão enquanto a garra trabalha na profundidade. É uma pinça que aparece em muitas caixas cirúrgicas de cirurgia geral, vascular e ortopédica.

📎 CRONENWETT, J.L.; JOHNSTON, K.W. Rutherford's Vascular Surgery. 8ª ed. Elsevier, 2014.

 

Pinças Mixter — 18 CM e 24 CM — Passagem de Ligaduras com Segurança

A Mixter é o instrumento específico para contornar vasos e nervos e posicionar ligaduras sem traumatizar as estruturas adjacentes. Sua ponta curva e fina permite esse movimento circular ao redor da estrutura-alvo de forma que nenhuma outra pinça convencional consegue replicar sem risco.

Em cirurgia vascular — e especialmente na safenectomia — ela é indispensável: cada tributária da crossa da veia safena precisa ser circulada individualmente com a Mixter antes de ser ligada. Uma ligadura passada sem a Mixter, tentando contornar o vaso com uma pinça reta, aumenta muito o risco de lesão da veia femoral ou das tributárias adjacentes.

        Mixter 18 CM: para abordagens de profundidade intermediária — campo inguinal, pescoço, coluna cervical

        Mixter 24 CM: para campos profundos onde os 18 CM não chegam — retroperitoneal, pélvico, vasos ilíacos

Tesoura Metzenbaum 25 CM + Pinça Mixter 24 CM = o par de dissecção profunda na safenectomia. A Metzenbaum abre o plano perivascular, a Mixter passa a ligadura ao redor da tributária. Essa dupla substitui o que antes exigia um assistente a mais no campo.

📎 CRONENWETT, J.L.; JOHNSTON, K.W. Rutherford's Vascular Surgery. 8ª ed. Elsevier, 2014. / SCHWARTZ, S.I. Schwartz's Principles of Surgery. 11ª ed. McGraw-Hill, 2019.

 

Pinças Backhaus — 10 CM e 13 CM — Fixação de Campo Confiável

Simples, mas insubstituíveis: as Backhaus fixam os campos cirúrgicos estéreis à pele durante todo o procedimento, garantindo que a delimitação estéril se mantenha intacta mesmo durante o posicionamento e reposicionamento do paciente.

        Backhaus 10 CM: para campos menores — artroscopia, cirurgias de pé e tornozelo, procedimentos de pequeno porte onde uma Backhaus maior seria desproporcional

        Backhaus 13 CM: para campos de grande porte — quadril, safenectomia bilateral, fêmur e cirurgias que demandam campos amplos. O comprimento maior garante que a garra prenda o campo com segurança, sem que o peso do campo o desplace durante o procedimento

Ter os dois tamanhos na caixa evita o improviso de dobrar um campo para que a pinça menor alcance — dobras no campo criam pontos de contaminação potencial.

📎 ZOLLINGER, R.M.; ELLISON, E.C. Zollinger's Atlas of Surgical Operations. 10ª ed. McGraw-Hill, 2016.

 

Pinça

Tamanho

Indicação Principal

Adson Serrilha

12 CM

Mucosa oral/nasal, cartilagem fina — preensão sem perfuração

Adson com Dente

12 CM

Pele espessa, periósteo, fáscia — ancoragem firme

Kocher Curva

24 CM

Controle vascular e tração em campos profundos

Mixter

18 CM

Passagem de ligaduras em profundidade intermediária

Mixter

24 CM

Passagem de ligaduras em campos profundos

Backhaus Campo

10 CM

Fixação de campos em procedimentos de pequeno porte

Backhaus Campo

13 CM

Fixação de campos amplos — quadril, fêmur, bilateral

 

Fontes Consultadas

        ZOLLINGER, R.M.; ELLISON, E.C. Zollinger's Atlas of Surgical Operations. 10ª ed. McGraw-Hill, 2016.

        PAPEL, I.D. Facial Plastic and Reconstructive Surgery. 4ª ed. Thieme, 2016.

        CRONENWETT, J.L.; JOHNSTON, K.W. Rutherford's Vascular Surgery. 8ª ed. Elsevier, 2014.

        SCHWARTZ, S.I. Schwartz's Principles of Surgery. 11ª ed. McGraw-Hill, 2019.

        Catálogo técnico Ortop Instrumental Cirúrgico — ortop.com.br.

 

A Pinça Adson Serrilha pode substituir a Adson com Dente?

Em tecidos finos e delicados, sim — e é preferível. Em pele espessa, periósteo e fáscia, não: a serrilha não gera preensão suficiente e a pinça escorrega no momento da sutura. Cada uma foi feita para um tecido específico — usar a Serrilha em pele espessa é mais difícil do que parece.

Para que serve a Pinça Mixter se posso usar uma pinça reta curvada na mão?

A curvatura da Mixter é projetada para contornar vasos e nervos em 180° com um único movimento controlado. Tentar replicar isso com uma pinça reta exige manobras que aumentam o risco de lacerar a adventícia vascular ou comprimir o nervo adjacente. Em cirurgia vascular, não existe substituto seguro para a Mixter.

Consulte o catálogo completo de pinças cirúrgicas Ortop em ortop.com.br — todos os modelos, comprimentos e variações disponíveis.

Ortop Instrumental Cirúrgico Ltda | ortop.com.br | Contagem, MG

Este conteúdo tem caráter educativo e técnico. As informações descrevem produtos em destaque do catálogo Ortop com base em referências técnicas e bibliográficas. Não representa prescrição ou recomendação clínica individual.